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Se pensar é transgredir, o moralismo nos torna imbecis.

Tenho emoção na transgressão. Quem não tem? Já transgredi, ainda mais jovem, a própria moral e os próprios hábitos inteligentes que só entendemos que são importantes quando atingimos certa maturidade.

Todos que me leem, imagino, sabem que sou estudante de Geografia e que também já fui estudante de História (um dia completo esse curso) e uma das coisas que sempre entendi em Ciências Humanas que o grande “barato” é transgredir.

Não falo em desafiar a lei como um psicopata, mas transgredir no modo de pensar, na forma de se colocar diante da sociedade, de se pensar em um mundo onde as coisas ainda estão em transformação e querer fazer parte dessa vanguarda que desafia o mundo.

Meu comportamento e maneira de vestir, de modo geral, não foram agressivos às pessoas em geral, mas o pensar… Esse sim! Foi o modo que encontrei de fazer o mundo dar voltas e fazer amizades e inimizades ao longo da minha vida. Porque uma das qualidades que me acompanham é a colocação clara ao falar em público ou ao redor de uma mesa com amigos.

Pensando nisso, tenho sido abusivamente leviano e vulgar em minhas redes sociais nas últimas semanas, principalmente no Whatsapp, postando “memes” machistas, eróticos e com referências vulgares na expectativa de uma reação de colegas de curso e amigos me criticando ou apoiando, enfim.

O resultado disso foi um isolamento social. Passei a refletir e vou começar e ler o Focault a respeito da história da sexualidade, pois estou teorizando que a classe universitária está ficando “careta”. Sim, pois dado que o hedonismo (antes um privilégio das elites e dos intelectualizados) passou a ser escancarado em bailes funk, nas redes informacionais e passou a ser um domínio das classes inferiores economicamente.

O resultado é que para se diferenciar, a classe universitária (que estaria em uma classe econômica superior em princípio ou com potencial para subir de classe) reage a isto de maneira moralista e conservadora.

Não basta mais ler “On The Road” de Jack Kerouac e sonhar com as transgressões de Sal e Dean ou pensar no amor livre pregado pelos Beatles em “All You Need is Love”. Os novos alunos das ciências humanas estão mais preocupados em transgredir esteticamente na forma de cortar (ou não) os cabelos ou na quantidade de bebidas e drogas consumidas em algum boteco ou meio-fio da vida do que transgredir e agredir o mundo com ideias realmente progressistas, libertárias e, por que não, hedonistas.

Portanto, penso que é preciso afrontar toda a caretice e conservadorismo essa juventude que não sabe se relacionar fora do mundo virtual, que não tem empatia pelo próximo, que não aceita a complexidade do mundo e das pessoas e vem aceitando explicações fáceis e absurdas porque são mais simples. Isso tem permitido os maiores absurdos conceituais e de comportamento que tenho visto.

Mas, afora a compreensão disso, quero pedir desculpas aos colegas e amigos que se sentiram ofendidos. Fui chato porque quis provocar e provoquei até onde deu. Não estou julgando, mas estou avaliando posições e uma das coisas que prego é o respeito ao próximo e vocês merecem ser respeitados pelo seu modo de pensar também.

P.S.: Texto publicado sem revisão. Me perdoem redundâncias e erros gramaticais.

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