Se é unânime, sou contra!

Toda unanimidade me incomoda. Especialmente em Política e em Ciências Humanas. Toda vez que existe uma unanimidade ao redor de uma ideia a minha tendência é duvidar dela. Pode ser um traço da minha distimia falando, mas independentemente de diagnóstico, isso é da minha personalidade.

Assim como, sempre duvido das convicções. Há aquela frase clichê que não sei de quem é a autoria* que diz: “Toda unanimidade é burra!” – sendo assim, sempre duvidarei daquilo que parece muito óbvio.

Sempre tive um posicionamento progressista (para esquerda). Quando falo sempre, é sempre mesmo! Nunca dei um voto para um candidato de direita ou centro. Nunca me senti confortável em apoiar, através do meu voto, alguém com quem eu não me identificasse tanto no campo ideológico, quanto no perfil socioeconômico.

Ainda assim, não sou obtuso. Reconheço que o divergente ao que eu penso é relevante e deve ser ouvido, digerido e, principalmente, explicado. Às vezes me sinto desconfortável e isso é apaixonante, pois é justamente nesses momentos que tenho a oportunidade de avaliar aquilo que opino e, portanto, me comprometo.

Certamente quem compartilha de um pensamento mais à esquerda e que levantou a bandeira do Partido dos Trabalhadores por diversas vezes deve estar num momento de muita inflexão e reflexão. Deve estar acuado diante de tantas acusações de “petralha”, comunista e etc.

Mas é importante avaliar o que é esse movimento anti-PT. É preciso avaliar o papel da mídia e os grupos que a dominam (vejam que não temos alternativas de informação que não fujam de 04 ou 05 grandes grupos jornalísticos nacionais) em rádio, televisão e jornais. É preciso avaliar qual é a classe prejudicada na atualidade que está participando dos protestos nas ruas. É preciso pensar os motivos que levam a oposição a ser tão contrária a uma governante recém eleita com tanta força.

Toda unanimidade me incomoda e certamente reforça minha posição de atuar como “advogado do diabo” diante de tanto meme, tanta acusação, tanto panfletarismo na imprensa e no Facebook.

A dialética nas relações que envolvem esses fenômenos político-midiáticos precisam ser considerados no momento de avaliar os acontecimentos da atualidade e é preciso compreender que o interesse de quem possui o poder econômico não está no bem estar social, pois, lembrem-se: o capital não possui pátria! O único objetivo do capital é crescer e, para isso, não tem moral, lei ou ideologia que o governe. Se for necessário superar essas barreiras para atingir o seu fim, o mercado não tem moral!

Portanto, não temo ficar de fora da “onda verde-amarela” e nem da onda midiática. Se o mercado se incomoda com Lula no governo, isso indica que o movimento político do estado não está a mercê do capital, mas a favor dos seus cidadãos. É hora de bater de frente à onda.

*Posteriormente descobri que a frase é de Nelson Rodrigues.

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