Qual é o melhor caminho para a humanidade?

Vi uma entrevista do presidente do grupo Riachuelo à BBC Brasil onde ele defendia que a queda de Dilma Rousseff traria um novo círculo virtuoso ao Brasil, com uma nova onda de investimentos e desenvolvimento econômico diante de um acordo onde o que viria seria uma diminuição do papel do estado na sociedade.

Toda vez que eu vejo pessoas defendendo o liberalismo econômico, percebo que a educação do Brasil foi falha nesse sentido. Porque o capitalismo surgiu liberal! Foi dentro do capitalismo liberal que surgiu a resistência à exploração humana dos detentores dos meios produtivos (a burguesia) através da análise dialética entre os processos históricos e o capital chamado de materialismo histórico que foi politizado no Manifesto do Partido Comunista por Karl Marx e Friedrich Engels que definiu UMA forma de luta contra as opressões sofridas pelos trabalhadores.

Foi na diminuição do estado que o capital teve o seu período mais vil de exploração da humanidade, explorando homens, mulheres e crianças de forma indiscriminada visando a lucratividade (o acúmulo de capital), ocasionando revoltas de trabalhadores em todo o mundo que culminaram em regimes erráticos e experiências socialistas onde o princípio da solidariedade foi escanteado em detrimento de mais exploração e subjugação de povos em nome de heróis e revoluções que não tiveram sucesso em dar qualidade de vida para as pessoas em geral.

Hoje as discussões são mais complexas. Não se pode mais entender a realidade através de uma ideologia fechada em si mesma e nem orientar os estados nacionais a se curvarem ao capital. É preciso entender que no jogo de poder e movimentação do capital financeiro, através dos diversos mercados mundiais, o objetivo do capital segue o mesmo daqueles detentores dos meios de produção do século XIX – o acúmulo de capital (riqueza!).

Ainda assim, é no capitalismo que se obteve um avanço tecnológico capaz de aumentar a produtividade alimentar do planeta sem aumentar as áreas produtivas. Que foi capaz de prover o aumento da expectativa de vida da população de forma global e outros desenvolvimentos. Mas o capital precisa de controle! O capital precisa ser SEMPRE regulado pelos estados nacionais e é no estado nacional que o cidadão trabalhador pode encontrar um porto seguro para não ser explorado.

É justo dizer que os estados nacionais democráticos (e não democráticos) possuem defeitos. A corrupção, sem dúvida, é o maior defeito deles, embora os meios para se combater esse mal estejam se ampliando, não é através de experiências radicais de liberalismo econômico que isso melhorará e nem através de experiências contra os capitalistas que a vida das pessoas melhorará.

O capital gera motivação para o desenvolvimento humano, mas é preciso que os estados nacionais sejam fortes o suficiente para não permitir que os capitalistas explorem as suas populações e estas precisam garantir estruturas democráticas capazes de fiscalizar para que aqueles eleitos para lhes governar não se curvem ao capital e nem usem das estruturas governamentais para enriquecimento próprio.

Portanto, não é na diminuição do capital que se encontra a solução do estado e não é na estatização das estruturas produtivas. É na regulação dos monopólios e oligopólios, é na garantia de direitos trabalhistas e na distribuição de renda (seja em imposto sobre as grandes fortunas, na taxação de heranças e outras medidas que visem a diminuição do acúmulo pela hereditariedade principalmente) que reside o espaço para o desenvolvimento das corporações, a melhor distribuição da riqueza mundial e a dignidade do trabalhador moderno.

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Se é unânime, sou contra!

Toda unanimidade me incomoda. Especialmente em Política e em Ciências Humanas. Toda vez que existe uma unanimidade ao redor de uma ideia a minha tendência é duvidar dela. Pode ser um traço da minha distimia falando, mas independentemente de diagnóstico, isso é da minha personalidade.

Assim como, sempre duvido das convicções. Há aquela frase clichê que não sei de quem é a autoria* que diz: “Toda unanimidade é burra!” – sendo assim, sempre duvidarei daquilo que parece muito óbvio.

Sempre tive um posicionamento progressista (para esquerda). Quando falo sempre, é sempre mesmo! Nunca dei um voto para um candidato de direita ou centro. Nunca me senti confortável em apoiar, através do meu voto, alguém com quem eu não me identificasse tanto no campo ideológico, quanto no perfil socioeconômico.

Ainda assim, não sou obtuso. Reconheço que o divergente ao que eu penso é relevante e deve ser ouvido, digerido e, principalmente, explicado. Às vezes me sinto desconfortável e isso é apaixonante, pois é justamente nesses momentos que tenho a oportunidade de avaliar aquilo que opino e, portanto, me comprometo.

Certamente quem compartilha de um pensamento mais à esquerda e que levantou a bandeira do Partido dos Trabalhadores por diversas vezes deve estar num momento de muita inflexão e reflexão. Deve estar acuado diante de tantas acusações de “petralha”, comunista e etc.

Mas é importante avaliar o que é esse movimento anti-PT. É preciso avaliar o papel da mídia e os grupos que a dominam (vejam que não temos alternativas de informação que não fujam de 04 ou 05 grandes grupos jornalísticos nacionais) em rádio, televisão e jornais. É preciso avaliar qual é a classe prejudicada na atualidade que está participando dos protestos nas ruas. É preciso pensar os motivos que levam a oposição a ser tão contrária a uma governante recém eleita com tanta força.

Toda unanimidade me incomoda e certamente reforça minha posição de atuar como “advogado do diabo” diante de tanto meme, tanta acusação, tanto panfletarismo na imprensa e no Facebook.

A dialética nas relações que envolvem esses fenômenos político-midiáticos precisam ser considerados no momento de avaliar os acontecimentos da atualidade e é preciso compreender que o interesse de quem possui o poder econômico não está no bem estar social, pois, lembrem-se: o capital não possui pátria! O único objetivo do capital é crescer e, para isso, não tem moral, lei ou ideologia que o governe. Se for necessário superar essas barreiras para atingir o seu fim, o mercado não tem moral!

Portanto, não temo ficar de fora da “onda verde-amarela” e nem da onda midiática. Se o mercado se incomoda com Lula no governo, isso indica que o movimento político do estado não está a mercê do capital, mas a favor dos seus cidadãos. É hora de bater de frente à onda.

*Posteriormente descobri que a frase é de Nelson Rodrigues.

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Rosane de Oliveira (ZH) faz ótimo artigo sobre a Revitalização do Cais Mauá

Tem um tempinho?
Faça essa leitura.

Cais Mauá é exemplo do jeito gaúcho de resistir, por Rosane de Oliveira

Projeto de Revitalização do Cais Mauá. Projeto de Revitalização do Cais Mauá.

O Rio Grande do Sul é um Estado que se orgulha de suas tradições (o que é ótimo), mas tem uma incrível vocação para viver do passado. Qualquer tentativa de mudar alguma coisa, mesmo que para melhor, esbarra numa muralha de conservadorismo. Ainda vivemos como se houvesse dinheiro farto nos cofres públicos para não precisar da iniciativa privada, esse ente ganancioso que, vejam só, quer recuperar o dinheiro investido e lucrar quando entra numa parceria com o Estado.

Os românticos porto-alegrenses cochilaram à época em que se discutiu o projeto de revitalização do Cais Mauá e não conseguiram evitar a realização da licitação e a assinatura do contrato. Eis que agora, quando o Estudo de Impacto Ambiental está pronto e a fase de licenciamento se encaminha para o desfecho, um grupo…

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O Governo tinha que gastar mais — e não menos

Mais uma vez, a Milly consegue sintetizar o que penso de forma magistral! Vale a pena conferir suas palavras.

Blog da Milly

Em nenhum lugar do mundo a austeridade deu certo, e ainda assim Dilma acha prudente seguir esse caminho, que é o de fazer cortes nos gastos e em programas sociais e aumentar imposto sobre a classe média. Claro que dizer que a austeridade não deu certo é uma generalização, porque ela é altamente benéfica para CEOs, acionistas e empresários, mas uma tragédia para a população.

Governos desse mundo doido de hoje estão sempre divididos entre agradar quem os financia – a classe alta e as corporações – e tentar dar uma passada de mão na cabeça daqueles de cujos votos eles precisam – o povo. Por isso a dança muitas vezes é amalucada e eles vivem endividados.

Mas no mano-a-mano nós não temos chance contra aqueles que dão aos governos rios de dinheiro, então quando qualquer governo precisa de grana eles optam por esfaquear as classes mais baixas cortando benefícios e…

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Fito Paez & Moska – Locura Total (2015)

Só estou encantado! Ficou muito bom!

Escuta Essa!

moskaepaezloucuratotal

Disco celebra e promove a integração entre os países irmãos, mas vai além das amenidades

por brunochair

Há muito mais em comum entre Brasil e Argentina do que supõe a nossa vã antropologia. Embora tenhamos nossas peculiaridades, desavenças político/econômicas e rusgas esportivas, o brasileiro (argentino) que procura fazer uma reflexão para além das diferenças enxerga o quanto somos próximos. Somos hermanos, vizinhos de longa data. Corre, em nossas veias, o mesmo “sangue latino”. Nossos interesses e curiosidades são comuns. Ambos respeitamos a cultura do país vizinho, a beleza das cidades, das pessoas, do modus vivendi. Tudo nos impressiona, nos apaixona. E o contato é sempre positivo, respeitoso e frutífero.

Paulinho Moska e Fito Paez são exemplos desse intercâmbio Brasil/Argentina. Ambos possuem carreiras consolidadas em seus países de origem: Fito Paez é o maior ícone do rock argentino; Moska é bastante respeitado no cenário da MPB, além de já ter atuado…

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Acorde cedo, trabalhe duro e tudo ficará bem. Ou não

Mais um texto tocante da Milly, da qual sou fã cada vez mais.

Blog da Milly

Enquanto a gente continua a debater as manifestações pelas ruas do Brasil, o destrambelhado governo Dilma, se Lula vai ser citado na lava-jato ou se o desmoralizado Cunha cai o mundo vai pelejando para sobreviver aos efeitos da crise que se alastra e, entregues à discussão pequena, deixamos de falar sobre o que me parece mais grave.

Seria interessante se pudéssemos relacionar as crescentes crises humanitárias com o sistema econômico que nos embala, que é esse com o qual Dilma fez um pacto ainda mais profundo ao adotar medidas de austeridade, essas que cortam benefícios sociais e privilegiam o poder concentrado do capital privado.

Se pegarmos apenas um problema mundial, como o número de refugiados que vêm do centro e do norte da Africa e que morreram afogados tentando chegar a Europa, talvez já possamos enxergar o que o capitalismo tem a ver com a tragédia.

Segundo o New York Times, 1800…

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Se pensar é transgredir, o moralismo nos torna imbecis.

Tenho emoção na transgressão. Quem não tem? Já transgredi, ainda mais jovem, a própria moral e os próprios hábitos inteligentes que só entendemos que são importantes quando atingimos certa maturidade.

Todos que me leem, imagino, sabem que sou estudante de Geografia e que também já fui estudante de História (um dia completo esse curso) e uma das coisas que sempre entendi em Ciências Humanas que o grande “barato” é transgredir.

Não falo em desafiar a lei como um psicopata, mas transgredir no modo de pensar, na forma de se colocar diante da sociedade, de se pensar em um mundo onde as coisas ainda estão em transformação e querer fazer parte dessa vanguarda que desafia o mundo.

Meu comportamento e maneira de vestir, de modo geral, não foram agressivos às pessoas em geral, mas o pensar… Esse sim! Foi o modo que encontrei de fazer o mundo dar voltas e fazer amizades e inimizades ao longo da minha vida. Porque uma das qualidades que me acompanham é a colocação clara ao falar em público ou ao redor de uma mesa com amigos.

Pensando nisso, tenho sido abusivamente leviano e vulgar em minhas redes sociais nas últimas semanas, principalmente no Whatsapp, postando “memes” machistas, eróticos e com referências vulgares na expectativa de uma reação de colegas de curso e amigos me criticando ou apoiando, enfim.

O resultado disso foi um isolamento social. Passei a refletir e vou começar e ler o Focault a respeito da história da sexualidade, pois estou teorizando que a classe universitária está ficando “careta”. Sim, pois dado que o hedonismo (antes um privilégio das elites e dos intelectualizados) passou a ser escancarado em bailes funk, nas redes informacionais e passou a ser um domínio das classes inferiores economicamente.

O resultado é que para se diferenciar, a classe universitária (que estaria em uma classe econômica superior em princípio ou com potencial para subir de classe) reage a isto de maneira moralista e conservadora.

Não basta mais ler “On The Road” de Jack Kerouac e sonhar com as transgressões de Sal e Dean ou pensar no amor livre pregado pelos Beatles em “All You Need is Love”. Os novos alunos das ciências humanas estão mais preocupados em transgredir esteticamente na forma de cortar (ou não) os cabelos ou na quantidade de bebidas e drogas consumidas em algum boteco ou meio-fio da vida do que transgredir e agredir o mundo com ideias realmente progressistas, libertárias e, por que não, hedonistas.

Portanto, penso que é preciso afrontar toda a caretice e conservadorismo essa juventude que não sabe se relacionar fora do mundo virtual, que não tem empatia pelo próximo, que não aceita a complexidade do mundo e das pessoas e vem aceitando explicações fáceis e absurdas porque são mais simples. Isso tem permitido os maiores absurdos conceituais e de comportamento que tenho visto.

Mas, afora a compreensão disso, quero pedir desculpas aos colegas e amigos que se sentiram ofendidos. Fui chato porque quis provocar e provoquei até onde deu. Não estou julgando, mas estou avaliando posições e uma das coisas que prego é o respeito ao próximo e vocês merecem ser respeitados pelo seu modo de pensar também.

P.S.: Texto publicado sem revisão. Me perdoem redundâncias e erros gramaticais.

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